sexta-feira, 8 de fevereiro de 2008

Caminhos

Percebo a insustentabilidade do caminho que estou trilhando. Percebo que esta rota não durará muito. Esta conciliação de duas forças interiores quase opostas está chegando ao limite. Algo tem que ser feito – há uma escolha a fazer.

Paro na frente da bifurcação e fico olhando. Aprecio as possibilidades com um olhar perdido de quem não quer tomar a decisão, com um olhar triste de quem não quer deixar pra trás o que tem hoje. Num estado de torpor, fico apenas parado, pesando prós e contras, imaginando como seria o futuro em cada caminho.

A trilha do herói é a que parece mais certa. Esta trilha leva ao total abandono de atividades paralelas que fujam do perfil de um Homem honrado. Esta trilha leva ao fim do Dino e de suas aventuras. Ela leva ao fim dos gigabites de material erótico presentes no computador, nos CDs e pendrives. Esta é a trilha da verdade, dos valores, do comportamento digno. É o fim da vida dupla. É cumprir com as obrigações, enfrentando as responsabilidades de frente. É o caminho da coerência, do correto, do altruísta – enfim, é o caminho exemplar.

A trilha da liberdade é quase o contrário da anterior. É o caminho da diversão, das amarras rompidas, da busca do prazer. Esta trilha leva ao abandono da família, da vida em comunidades formais, do papel de patriarca, do padrão "careta". O próprio nome dá a este caminho a dimensão de seu significado: liberdade. Quebrar paradigmas, viver com intensidade, criar sua própria realidade, se expor, arriscar, perder e ganhar, deixar para trás a responsabilidade, ser independente e não ter dependentes ou simplesmente: responder apenas por mim e por mais ninguém. Viver sem limites minha verdade interior, assumir minhas taras, meus vícios, meus gostos. Curtir.

Ambas as trilhas requerem uma entrega total, exigem uma ida sem volta, um cessar da dúvida. Ambas requerem que se abandone algo – ou muita coisa. Ambos casos trazem corações partidos.

A trilha do herói mata a alegria da vida simples, mata parte da espontaneidade em nome do controle, mata a diversão por diversão. Ela exige tudo que um ser humano pode dar, exige um alto grau de responsabilidade. Ela traz o risco de sucumbir ao peso que será carregado nos ombros.

A trilha da liberdade mata os laços familiares, traz a culpa de desmanchar um lar, a culpa de deixar filhos sem pai, a culpa de provocar a tristeza alheia. Ela leva a abandonar certezas que dão segurança, leva ao desconhecido, leva à solidão.

O curioso é que esta dúvida, esta indecisão, este momento de angústia demonstram claramente que não faço idéia de quem eu sou. Sou tudo isso, mas não sou nada disso. Quero ambas as trilhas, mas não quero nenhuma. Sou um emaranhado de sentimentos confusos, sou a ambiguidade ambulante, sou um enorme conjunto de papéis (coerentes ou contraditórios) que se revezam e se superpõe.

Quero ir pra casa dormir.
Quero ver televisão.
Quero enlouquecer e ser internado.
Quero envelhecer e ir para um asilo.
Quero que cuidem de mim.

Mas no momento, tudo que posso fazer (tudo que sou capaz de fazer) é voltar ao meu papel de forte, disfarçar a tristeza atrás de alguma raiva e seguir vivendo. Tem gente esperando isso de mim, tem gente querendo seguir meu exemplo. Por enquanto, é apenas isso que vou fazer.

E, sempre sempre, Carpe Diem!

5 comentários:

Anônimo disse...

Você me assusta ás vezes...

Dino Voo disse...

Olá Anonimo(a),
O que em mim te assusta?
Ainda bem que é só às vezes...
;)

Anônimo disse...

Você me surpreende.
Na maior parte da vezes é bom... mas às vezes assusta ;)

Dino Voo disse...

Continua enigmática?
Fala mais...
;)

Anônimo disse...

Então você gosta de receber torpedos?
Bom isso, realmente não há nada melhor do que desejar e ser desejada.
Gosto de você. Gosto desse seu jeito "todo seu" de ser.