domingo, 15 de julho de 2007

Estrada

Expectativa de um lado, adrenalina de outro. Desejo e fantasias, tudo devidamente embalado. E deixado momentaneamente de lado, enquanto um outro desafio se prpunha pela frente: a estrada. Sim, mais de 300 Km tinham que ser vencidos antes de desfazer as malas.


Gosto de estradas, gosto de dirigir, desde que sem congestionamento. A viagem é um grande lance, uma delícia a ser percorrida Km por Km. Um bom carro e uma boa estrada fazem uma gostosa aventura. Ainda mais por estradas desconhecidas!


Uma vez livre das agruras da cidade grande e conquistado o caminho da estrada livre, a paisagem que se descortina diante dos meus olhos é sempre inebriante. Em particular nesse horário, no fim da tarde. Naquele momento eu queria por uns momentos estar no banco do carona, com um laptop no colo, para poder escrever estas palavras no ato - ali, no calor da cena!


Céu ainda azulado
Finas nuvens, como véus, enfeitando o céu
No mais alto do mais alto, como pitura celeste
O sol já abaixo do horizonte


O céu sem sol
O sol se foi
O véu com sol
Na quase noite


Qual uma pintura impressionista
De um pintor famoso
Se desdobrando à minha frente
Magnífico presente!


Noite cai, paisagem desvanece, indo-se aos poucos, até deixar apenas o que alguma iluminação ocasional revela. Faróis vão e vem, carros, caminhões, motos, camionetes... indo e vindo incessantemente... almas em eterno movimento, inquietas, insatisfeitas de suas posições geográficas!

Fluxo de gente. É isso que as estradas são. Intermináveis fluxos de gente. Rios de almas em trânsito. Alguns sós, outros acompanhados, alguns com pertences, outros sem nada, outros carregando fardos alheios. Alguns indo, outros voltando, alguns em busca do lar, outros em busca do trabalho, ou da família, ou de alguma oportunidade.

Ou de uma fantasia. De sexo. De prazer.

Dentro do prazo previsto, Taiwan se desvela a minha frente. Cá estou. Me sinto num sonho, mas cá estou. Respiro esta nova realidade. Tomo consciência de meu ser e de meu propósito. Ali estou para aproveitar a vida. Para me oferecer a possibilidade (mesmo incerta) de uma prazeirosa aventura.

Carpe diem.

;)

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